Thursday, March 23, 2006

«NÃO SE PERDE GRANDE COISA»

De facto, num certo sentido, o conselho de Administração do Hospital de Seia, se as coisas fossem de determinada maneira, tinha razão.

Diz-se no Porta da Estela Online o seguinte:
“O único senão é que o Hospital de Seia fica sem o presidente do Conselho de Administração e sem o vogal executivo, sendo toda a gestão efectuada a partir de Viseu, e sem autonomia administrativa, financeira e patrimonial, mas como neste último aspecto os edifícios são da Santa Casa da Misericórdia de Seia, «não se perde grande coisa», referiu.”

Ora, perante a aberrante entrevista concedida pelo Presidente do Conselho de Administração do Hospital, se o Conselho de Administração deixar Seia, não se perde grande coisa. Esta conclusão era verdadeira apenas se este conselho de Administração executivo ficasse lá para sempre, o que não vai acontecer, felizmente. Se assim fosse, ao perder-se o conselho de Administração executivo não se perdia grande coisa.

Agora, como eles mudam, e este há-de mudar felizmente, o facto de se perder o Conselho de Administração e de se perder autonomia administrativa, financeira e patrimonial é perder muita coisa.

De facto, foi porque o anterior conselho de Administração lutou com o Governo, que este aumentou o orçamento anual do Hospital de Seia de 5 milhões para mais de nove milhões de euros.

Esta capacidade reivindicativa ancorada nos excelentes resultados demonstrados pela Administração e por todos os seus profissionais vai ser perdida e isto é perder MESMO MUITA COISA:

Lamenta-se o tom da entrevista porque é arrasadora para o Hospital e demonstra a concepção deste Conselho de Administração executivo, que acha que mandar no Hospital de Seia é o menos importante. Se assim for não se percebe porque é que o Governo e o Anterior presidente da República tanto falam para manter os centros de decisão nacional, pois perdendo-os se calhar também não se perde grande coisa.

Já agora Sr. Presidente:
Atenta as afirmações de que a urgência fica e de que o Hospital passará a efectuar APENAS PEQUENAS CIRUGIAS com esta integração no centro hospitalar de Viseu, é capaz de nos explicar como vai explicar ao ministro da Saúde a necessidade de construção de DUAS SALAS MODERNAS DE CIRURGIA PEQUENA E GRANDE, se só se vão efectuar as do primeiro tipo?

1 comment:

João Tilly said...

Quando é o próprio presidente do CA do hospital que diz que se se perder o CA não se perde grande coisa... é preciso dizer mais?
O homem, afinal, sabe bem Quanto vale...