Friday, February 24, 2006

FUNCIONÁRIO PÚBLICOS AVALIADOS ...

Os funcionários públicos vão ser, finalmente, avaliados. Estes elementos da administração pública serão avaliados individualmente na sua produtividade, assim como na produtividade global do serviço. Nestas situações, eu sou como S. Tomé, ou seja, ver para crer, isto porque avaliação na Administração pública já existe há muitos anos, só que não funciona.

Os chefes de serviço avaliam os seus subalternos, mas dão sempre a todos notas iguais para não terem chatices, nem terem que estar explicar aos seus superiores porque e que houve notas diferenciadas. Sim, porque sempre que alguém dá notas baixas a uns e altas a outros é chamados à pedra para explicar o porquê, e mais papelada, e mais burocracia, e mais chatices, e mais mau ambiente, e um inimigo no serviço. Há dias conversava sobre o assunto com um amigo meu, chefe de um serviço público há largos anos e que me dizia que quando começou e dava notas diferenciadas aos seus subalternos, os seus superiores exigiam-lhe relatórios a justificar e, pior ainda, uma vez um subalterno teve uma nota má e passou a realizar o seu trabalho de forma deficiente, para prejudicar o superior. Ora está bem de ver que ninguém se podia dar ao trabalho de dar notas más e diferenciadas aos seus subalternos, pelo que, todos os funcionários públicos são bons, sejam eles, de facto, muito bons ou muito maus.

A ver vamos se com este novo sistema há verdadeira avaliação, contudo, ainda assim, acho difícil, porque os trabalhadores sejam bons ou maus sabem que há duas coisas como certas na vida: a primeira é a morte e a segunda é que nunca são despedidos da função pública. Enquanto este regime absurdo de trabalho vitalício mesmo sem mérito, ou mesmo com demérito, vigorar, a função pública há-de ter sempre défices brutais e produtividades ínfimas.

Na realidade, Portugal tem uma das mais baixas percentagens de funcionários públicos no global da população activa e tem uma das mais altas percentagens de despesas desses mesmos funcionários, no global do Estado. Estes dados apenas indicam que, mais funcionários públicos na Suécia (cerca de 33% da população activa contra cerca de 11% em Portugal) gastam menos que em Portugal, ou seja, apesar de termos menos, cada funcionário publico português custa mais do triplo de um sueco, seja em despesa que gera, seja em produtividade que não tem. Este é o grande problema, e como qualquer grande problema só se resolve com uma medida radical: passar ser possível despedir na função pública como no privado, exactamente da mesma forma, para que todos sintam na pele o que é trabalhar para não ficar sem emprego. Aí a produtividade triplicava e os custos vinham para metade.

Mas como ninguém tem coragem de avançar com esta medida…

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