Wednesday, April 19, 2006

[DIGITAL FORTRESS]

Fortaleza digital, o primeiro livro escrito por Dan Brown, está já à venda em Portugal.
Curiosamente, este livro foi o primeiro a ser escrito pelo autor do bestseller "Código Da Vinci" e só agora vai estar disponível.
Tenho uma certa curiosidade, em parte ancorada no facto de ter gostado muito dos outros livros, mas também pelo facto de este ser o primeiro que foi escrito e não não ter a certeza de que, na altura em que foi escrito, Dan Brown já fosse possuidor da técnica de escrita que enebria, envolve e absorve o leitor, exigindo que se leia sem parar, como aconteceu comigo nos outros livros.
Uma coisa é certa, eu vou ler mais este livro do escritor que não só ganha milhões, como criou um novo mercado literário à volta da sua obra, com obras parasitárias que analizam os seus livros e obras que tentam ganhar fama à custa dos temas que Dan Brown aborda.
Voltarei a ele depois de o ler.

2 comments:

O Micróbio II said...

A Sevilha de Dan Brown revela a sua total falta de conhecimento. O ambiente da capital andaluza em “Digital Fortress: A Thriller” está cheio de erros, mas Dan Brown continua a referir que as suas obras são ficção, ainda que baseadas em sólida documentação. Será difícil que os sevilhanos levem a sério o autor de “The Da Vinci Code", depois de comprovarem o cumular de erros e o falso ambiente de Sevilha que a sua novela “Digital Fortress: A Thriller” oferece.

Os dados e as descrições de Sevilha – o cenário onde decorre boa parte da novela – deixaram os sevilhanos estupefactos. Alguns são erros históricos: a catedral é “gótica do século XI”, as ruelas do Bairro de Santa Cruz “datam do tempo dos romanos”, a Giralda tem 125 metros de altura (na realidade são 97) …

Dan Brown retrata uma cidade terceiro-mundista, atrasada e corrupta, que pouco tem a ver com o ambiente dos anos 90 em que se desenrola a novela. Nos hospitais os doentes ocupam macas no chão e o ar está impregnado de cheiro a urina: “Era como uma espécie de um cenário de um filme de terror em Hollywood”, escreve. A polícia é corrupta. Os autocarros circulam com as portas abertas. O leitor é também apanhado pela surpresa de que o “sumo de arandanos (uma planta silvestre com frutos comestíveis) é uma bebida popular em Espanha”.

A visão da religiosidade sevilhana corresponde a chavões arcaicos. Na Sevilha dos anos 90, os homens vão à Missa “com trajes negros” e as mulheres “rezam pelas ruas com as contas do terço” e cobertas pelas populares “mantillas”. Comungam “no princípio da Missa” e bebem o cálice de “vinho tinto”.

A literatura está cheia de consentimentos, mas os de Dan Brown roçam o ridículo. Assim ninguém duvida em assegurar que na catedral de Sevilha se conserva o escroto de Cristóvão Colombo, como uma relíquia venerada. Ainda que na catedral esteja o sepulcro do famoso descobridor, a conservação do escroto teria de ser um autêntico milagre. Já que todos os tecidos moles desaparecem antes dos cinco anos depois da morte.

Avisado de que em Sevilha o seu livro não tinha sido bem aceite, Dan Brown escreveu uma nota para a tradução espanhola onde faz questão de assegurar que viveu em Sevilha durante um ano na década de 90 enquanto estudava na Universidade e que é a sua “cidade europeia preferida”.

A autarquia de Sevilha não quis enfurecer-se com o novelista e fez sair o seguinte comunicado: “Sevilha dará uma nova mostra da sua condição de cidade da tolerância e da convivência em relação às graves inexactidões que se cometem com a sua geografia urbana, os seus monumentos e os seus hospitais”. O município compreende que as descrições “não estão em função da realidade de cada cidade e país, mas sim no que corresponde aos requisitos do argumento e das circunstâncias que o rodeiam”.

É cdaso para se dizer que o homem continua a não a acertar uma... e talvez seja por isso que sejam necessárias as tais obras "parasitárias que analizam os seus livros"... pudera!!

Nuno Almeida said...

Aquilo que me agrada na obra de Dan Brown não é a hipotética realidade que a mesma pode querer descrever nem a base em factos, monumentos ou documentos que se reproduzem, ou não, de forma fidedigna nas suas obras.
Aquilo que gosto é a forma de escrever, o enredo, e a forma técnica de escrita que me prende ao mesmo.
Para lá disso não me interessa saber se o que ele diz tem alguma base de real ou se é ficção pura do início ao fim.
Isso é lateral.